Durante muito tempo, pensei que o meu papel passava apenas por acompanhar a evolução do trabalho. Adaptar-me às empresas, às novas gerações, às mudanças tecnológicas e à forma como as pessoas passaram a viver o dia a dia profissional. Mas hoje percebo que aquilo que está a acontecer vai muito para além disso.
O mundo voltou novamente a transformar-se. A inteligência artificial começou a alterar profissões, modelos de negócio e rotinas a uma velocidade difícil de imaginar há poucos anos. As empresas tornaram-se mais digitais, mais automatizadas e mais rápidas. Muitas tarefas passaram a ser feitas por tecnologia e, no meio de toda essa aceleração, começou lentamente a surgir uma nova pergunta: o que continuará a tornar os lugares verdadeiramente humanos?
E talvez tenha sido precisamente essa pergunta que começou a definir o meu próximo capítulo.
Porque quanto mais tecnológico o mundo se torna, mais importante passa a ser aquilo que a tecnologia não consegue substituir: as relações humanas, a criatividade, a cultura, a natureza, a reflexão, o sentido de comunidade e a forma como experienciamos os lugares.
Foi então que percebi que o futuro não podia continuar a ser construído apenas através de edifícios. Precisava de ser construído através de uma visão.
E é exatamente aí que começa a Expansão Sul.
Durante muito tempo, aquele território existiu silenciosamente ao meu lado, quase como uma continuação adormecida daquilo em que me fui tornando ao longo das últimas décadas. Mas agora começava finalmente a ganhar forma um novo capítulo pensado para prolongar tudo aquilo em que acredito.
Três novos edifícios começaram então a nascer como uma extensão natural do ecossistema que fui construindo ao longo do tempo. Novos escritórios, novos espaços de vida, novas áreas verdes, novas experiências e novos pontos de encontro entre empresas, pessoas, cultura e território começaram lentamente a desenhar um novo horizonte à minha volta. Mais do que aumentar a dimensão do campus, esta expansão foi pensada para aprofundar a identidade daquilo que sou hoje.
Lembro-me de ouvir um arquiteto comentar durante uma visita à obra:
“Hoje já não basta desenhar edifícios. É preciso desenhar a forma como as pessoas se vão sentir dentro deles.”
E talvez essa frase explique muito daquilo que está agora a nascer aqui.
Porque a Expansão Sul nunca foi pensada como um conjunto isolado de edifícios. Foi concebida para prolongar uma determinada forma de pensar o futuro do trabalho. Uma visão onde arquitetura, sustentabilidade, arte, experiência, natureza e comunidade coexistem de forma integrada, quase sem fronteiras entre elas.
Os novos espaços verdes começam naturalmente a ligar-se ao território envolvente. O Corredor Central prolonga-se intuitivamente para esta nova área, mantendo viva a ideia de encontro, movimento e comunidade que sempre definiu o campus. A arte continua a ocupar o espaço público, os percursos tornam-se experiências e os espaços exteriores passam a ser tão importantes quanto os interiores.
Porque aquilo que estamos a construir procura ultrapassar a lógica convencional do escritório.
E talvez uma das maiores expressões dessa visão seja o Jardim do Pensamento.
Quando ouvi falar pela primeira vez deste espaço, percebi imediatamente que ele representava muito mais do que um jardim. Com curadoria de Byung-Chul Han, nasce como um lugar pensado para introduzir contemplação, equilíbrio e reflexão no meio de um mundo cada vez mais acelerado. Um espaço onde as pessoas possam parar por alguns minutos, respirar e voltar a pensar sobre a relação que têm consigo próprias, com o trabalho, com o tempo e com os lugares que habitam diariamente.
Num mundo obcecado por produtividade constante, talvez o verdadeiro luxo do futuro passe precisamente por isto: voltar a criar espaço para pensar.
Lembro-me da Leonor, product manager numa empresa tecnológica, comentar enquanto observava os primeiros desenhos do projeto:
“É estranho… quanto mais avançamos tecnologicamente, mais sentimos necessidade de voltar ao essencial.”
E é exatamente isso que tento construir, que tento ser agora.
Um lugar onde inovação e humanidade consigam coexistir sem se anularem. Onde tecnologia e bem-estar não sejam opostos. Onde empresas, cultura, filosofia, natureza e comunidade façam parte da mesma experiência.
Porque aquilo que me tornou diferente nunca foram apenas os edifícios.
Foi sempre a visão por detrás deles.
E enquanto a Expansão Sul começa agora a ganhar vida, outra ideia já começa também lentamente a desenhar-se no horizonte. A antiga fábrica que produzia tecidos continua a reinventar-se e muito em breve um novo capítulo começará novamente a nascer: a Expansão Norte.
Às vezes penso em tudo aquilo que já fui ao longo do tempo. Uma fábrica têxtil. Um complexo industrial. Um conjunto de armazéns. Um business hub. Um campus empresarial. Mas hoje percebo que me estou lentamente a tornar outra coisa.
Um lugar onde empresas, talento, cultura, território, pensamento e comunidade coexistem de forma integrada.
E talvez a parte mais bonita de tudo isto seja perceber que esta história ainda está longe de terminar.
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